Resumo
Regime tributario e o conjunto de regras que define quanto a sua empresa paga de imposto. No Brasil existem tres opcoes principais: Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. A escolha certa pode significar uma diferenca de dezenas de milhares de reais por ano. O Simples costuma ser o mais vantajoso ate cerca de R$ 360 mil anuais, mas depende do Fator R e do tipo de atividade. O Presumido vira opcao competitiva acima desse faturamento, especialmente pra quem tem margem alta. O Real raramente e a escolha certa pra empresas de servico, exceto em situacoes muito especificas.
Este artigo explica os tres regimes, mostra simulacoes praticas com cenarios reais de medicos, advogados, desenvolvedores, agencias de marketing e consultores, e descreve o que vai mudar a partir de 2027 com a reforma tributaria.
Introducao
Na Easy Contador, a pergunta que mais recebo de clientes novos e: "sera que eu to no regime tributario certo?". Na maioria das vezes a resposta e nao. Nao porque o contador anterior errou, mas porque o regime que fazia sentido ha tres anos ja nao faz mais. A empresa cresceu, o perfil de clientes mudou, a folha aumentou, e ninguem refez a conta.
O problema e que regime tributario nao e uma decisao que voce toma uma vez e esquece. E uma escolha que precisa ser revisada pelo menos uma vez por ano, idealmente em novembro, quando ainda da tempo de fazer a opcao pra janeiro do ano seguinte. E em 2026 essa revisao virou ainda mais importante, porque entraram em vigor mudancas no Lucro Presumido, o Simples Nacional comecou a conviver com a fase de teste da reforma tributaria, e a partir de 2027 o jogo muda de verdade.
Este artigo e pra quem tem empresa de servico e quer entender qual regime faz mais sentido no seu caso: medicos, dentistas, psicologos, advogados, desenvolvedores, agencias de marketing, engenheiros, arquitetos, consultores, infoprodutores, representantes comerciais e outros profissionais liberais. Voce vai entender o que e cada regime, quando cada um vale a pena, ver simulacoes com cenarios realistas e sair com clareza sobre o que precisa checar com o seu contador nos proximos meses.
O que sao regimes tributarios
Regime tributario e o conjunto de regras que define como a sua empresa calcula e paga os impostos federais, estaduais e municipais. No Brasil, uma empresa de servicos pode estar em um de tres regimes principais, cada um com logica propria de calculo, obrigacoes acessorias e limites de faturamento.
A escolha do regime afeta diretamente quatro coisas: quanto voce paga de imposto, quanto tempo e dinheiro voce gasta com contabilidade, quanto o seu cliente PJ consegue aproveitar de credito tributario e qual a sua flexibilidade pra deduzir despesas. Nao existe regime melhor em absoluto. Existe o regime certo pra cada combinacao de faturamento, margem, estrutura de custos e perfil de cliente.
A seguir, os tres regimes detalhados.
Simples Nacional
O Simples Nacional e um regime simplificado criado pela Lei Complementar 123/2006 pra micro e pequenas empresas. Ele unifica oito tributos (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IPI, ICMS, ISS e CPP) em uma unica guia mensal, o DAS. O limite de faturamento anual e de R$ 4,8 milhoes, e a aliquota efetiva varia de 6% a 33% dependendo do anexo em que a sua atividade se enquadra e da faixa de faturamento nos ultimos 12 meses.
Pra prestadores de servico, os anexos mais relevantes sao o III, o IV e o V. O Anexo III cobre a maioria dos servicos, com aliquota inicial de 6%. O Anexo IV cobre atividades como advocacia e construcao civil, com a diferenca de que o INSS patronal e recolhido separadamente. O Anexo V cobre servicos intelectuais como TI, engenharia, consultoria e publicidade, com aliquota inicial mais alta, 15,5%.
O ponto decisivo aqui e o chamado Fator R. Se a sua folha de salarios dos ultimos 12 meses, somada ao pro-labore, representar 28% ou mais do seu faturamento do mesmo periodo, a sua empresa migra automaticamente pro Anexo III, mesmo que a atividade original esteja no V. Isso significa pagar ate 9,5 pontos percentuais a menos de imposto. Na pratica, e a diferenca entre uma agencia de marketing pagar 15,5% ou 6% de DAS no primeiro ano.
Lucro Presumido
O Lucro Presumido e um regime em que a Receita Federal "presume" qual e a sua margem de lucro e cobra IRPJ e CSLL sobre essa margem presumida, nao sobre o lucro real que voce teve. Pra servicos em geral, a presuncao e de 32% do faturamento. Ou seja, mesmo que a sua empresa tenha lucrado 50% ou 10% no trimestre, o fisco cobra imposto como se voce tivesse lucrado 32%.
Sobre essa base de 32%, incidem 15% de IRPJ e 9% de CSLL. Somando os dois, da uma carga de 7,68% sobre o faturamento so de IRPJ e CSLL. Alem disso, o Presumido paga PIS e COFINS de forma cumulativa (sem credito sobre insumos), com aliquota total de 3,65%. E ISS municipal, que varia entre 2% e 5%. No fim das contas, a carga efetiva pra servicos no Presumido costuma ficar entre 13,33% e 16,33% do faturamento.
Em 2026, entrou em vigor uma mudanca importante: a Lei Complementar 224/2025 criou uma majoracao pra empresas que faturam acima de R$ 1,25 milhao por trimestre (ou R$ 5 milhoes por ano). Pra essas empresas, a presuncao de 32% passa a ser 35,2% sobre a parcela excedente. Nao e muito em percentual, mas representa aumento real de carga tributaria pra empresas de medio porte que antes achavam o Presumido confortavel.
O limite de faturamento pra optar pelo Lucro Presumido e de R$ 78 milhoes anuais, mas na pratica ele vira competitivo quando a empresa ultrapassa os R$ 360 mil do Simples e tem margem real acima da presuncao.
Lucro Real
O Lucro Real e o regime em que a empresa paga imposto sobre o lucro efetivo apurado pela contabilidade, mes a mes ou trimestre a trimestre. Aqui nao tem presuncao: se a empresa teve prejuizo no periodo, nao paga IRPJ nem CSLL naquele periodo, e ainda pode compensar o prejuizo em periodos futuros. Se teve lucro alto, paga sobre o lucro alto.
As aliquotas sao 15% de IRPJ sobre o lucro, com adicional de 10% sobre o que exceder R$ 20 mil por mes, mais 9% de CSLL. PIS e COFINS no Lucro Real sao nao-cumulativos, com aliquota de 9,25%, mas com direito a credito sobre diversos insumos.
Pra prestadores de servico, o Lucro Real raramente e a melhor opcao. Primeiro porque a maioria dos servicos tem poucos insumos tributados pra gerar credito. Segundo porque as obrigacoes acessorias sao muito mais pesadas (ECF, ECD, EFD-Contribuicoes detalhadas). Terceiro porque a carga efetiva costuma ser maior, exceto em dois cenarios: quando a empresa tem margem de lucro real muito baixa (abaixo de 15%, por exemplo), ou quando tem prejuizos recorrentes que podem ser compensados.
O Lucro Real e obrigatorio pra empresas que faturam acima de R$ 78 milhoes anuais, instituicoes financeiras e algumas atividades especificas.
Diferencas praticas entre os tres regimes
Colocando os tres lado a lado, as diferencas mais importantes pra prestador de servico sao estas:
- Limite de faturamento: Simples vai ate R$ 4,8 milhoes anuais. Presumido vai ate R$ 78 milhoes. Real nao tem teto.
- Forma de calculo: Simples cobra aliquota progressiva sobre o faturamento, com tudo junto em uma guia. Presumido cobra sobre uma margem presumida (32% pra servicos). Real cobra sobre o lucro efetivo apurado na contabilidade.
- Carga tributaria tipica em servicos: Simples vai de 6% (primeira faixa do Anexo III) ate cerca de 19% (faixas mais altas do Anexo V sem Fator R). Presumido fica entre 13,33% e 16,33%. Real varia muito, entre 10% e 25%, dependendo do lucro real e dos creditos aproveitados.
- Obrigacoes acessorias: Simples e o mais leve (DAS mensal, DEFIS anual). Presumido exige EFD-Contribuicoes, DCTFWeb, ECF, ECD. Real tem a contabilidade mais pesada, com escrituracao completa.
- Previsibilidade: Simples e Presumido tem carga previsivel (da pra estimar quanto vai pagar sabendo so o faturamento). Real depende do resultado contabil, que pode variar muito.
- Credito pro cliente PJ: No Simples tradicional, o cliente recebe credito muito limitado. No Presumido, recebe credito cheio de PIS/COFINS (que vira CBS a partir de 2027). No Real, tambem recebe credito cheio. Isso importa muito pra quem vende B2B e e um ponto que muda bastante com a reforma tributaria.
Quando cada regime vale a pena
Simples Nacional
Vale a pena na maioria dos casos pra prestador de servico que fatura ate R$ 360 mil por ano, especialmente se:
- A atividade se enquadra no Anexo III diretamente (psicologos, fisioterapeutas, escritorios de contabilidade, academias, escolas), ou se enquadra no Anexo V mas a empresa tem folha de pagamento suficiente pra atingir o Fator R de 28% e migrar pro Anexo III.
- Os clientes sao majoritariamente pessoas fisicas ou outras empresas do Simples. Nesses casos, o credito tributario limitado do Simples nao pesa, porque o cliente final nao aproveita credito de qualquer forma.
- A operacao e enxuta, com poucos funcionarios e pouca estrutura administrativa. O custo de conformidade do Simples e muito menor que o dos outros regimes.
Lucro Presumido
Vira a opcao mais interessante quando:
- O faturamento anual ultrapassa R$ 360 mil e a empresa nao consegue Fator R de 28%, ou seja, paga aliquotas altas do Anexo V do Simples. A partir de certo ponto, o Presumido fica mais barato que o Simples mesmo considerando a soma de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e ISS.
- A margem real de lucro e consistentemente acima de 32%. Se a empresa lucra 45%, 50%, 60%, ela esta pagando imposto como se tivesse lucrado 32%, o que e vantajoso.
- A maior parte dos clientes e pessoa juridica e a empresa vende B2B. No Presumido, o cliente PJ aproveita credito cheio de PIS/COFINS, o que torna o servico mais competitivo no preco final.
Lucro Real
Raramente e a escolha certa pra prestador de servico, mas faz sentido em cenarios especificos:
- A empresa tem margem real de lucro abaixo de 15% ou 20%. Pagar imposto sobre lucro efetivo baixo e melhor que pagar sobre presuncao de 32%.
- A empresa tem prejuizos recorrentes ou sazonais que podem ser compensados em periodos futuros, gerando economia tributaria ao longo dos anos.
- A empresa tem muitos insumos que geram credito de PIS/COFINS (e futuramente de CBS/IBS), como aluguel, energia, contratacao de servicos de outras PJs no Real.
- O faturamento ultrapassa o limite de R$ 78 milhoes do Presumido, caso em que o Real e obrigatorio.
Simulacoes praticas com cenarios reais
Antes das simulacoes, um aviso importante: os numeros abaixo sao exemplos ilustrativos com premissas medias pra cada perfil. Cada empresa tem particularidades de ISS municipal, Fator R, receitas financeiras, exclusoes da base de calculo e outras variaveis que mudam o resultado real. Use as simulacoes pra entender a ordem de grandeza e a logica da comparacao, nao como calculo definitivo. Pra decisao real, a analise precisa ser feita por um contador que conhece os numeros da sua empresa.
Cenario 1: Dentista com clinica propria
Faturamento anual: R$ 600 mil. Estrutura: dentista socio + 1 auxiliar CLT (R$ 2.500/mes) + 1 recepcionista (R$ 2.000/mes). Pro-labore do socio: R$ 8.000/mes. Margem real de lucro: 40%.
Simples Nacional (Anexo III com Fator R atingido): Folha anual (CLT + pro-labore) = R$ 150 mil. Fator R = 150.000 / 600.000 = 25%. Abaixo do limite de 28%, entao a empresa cai no Anexo V. Aliquota efetiva na faixa de R$ 600 mil no Anexo V = aproximadamente 16,93%. DAS anual = R$ 101.580.
Simulacao alternativa: se o dentista aumentar o pro-labore pra R$ 10 mil/mes (total de folha = R$ 174 mil, Fator R = 29%), a empresa migra pro Anexo III. Aliquota efetiva = aproximadamente 10,52%. DAS anual = R$ 63.120. Economia de R$ 38 mil por ano so por ajustar o pro-labore.
Lucro Presumido: IRPJ (32% x 15%) + CSLL (32% x 9%) + PIS (0,65%) + COFINS (3%) + ISS (5% tipico em capitais) = 7,68% + 3,65% + 5% = 16,33% sobre o faturamento. Carga anual = R$ 97.980.
Conclusao do cenario 1: Simples no Anexo III e o mais vantajoso. Vale a pena ajustar a estrutura de folha pra atingir o Fator R.
Cenario 2: Desenvolvedor de software freelancer
Faturamento anual: R$ 240 mil (R$ 20 mil/mes). Estrutura: socio unico, sem funcionarios. Pro-labore: R$ 5.000/mes. Margem real: 70% (pouquissimo custo).
Simples Nacional: Folha (so pro-labore) = R$ 60 mil. Fator R = 60.000 / 240.000 = 25%. Fica no Anexo V. Aliquota efetiva = aproximadamente 15,50%. DAS anual = R$ 37.200.
Simulacao alternativa: se aumentar pro-labore pra R$ 5.700/mes (folha = R$ 68.400, Fator R = 28,5%), migra pro Anexo III. Aliquota efetiva = aproximadamente 6% na faixa mais baixa. DAS anual = aproximadamente R$ 14.400. Economia de R$ 22.800 por ano.
Lucro Presumido: 16,33% x 240.000 = R$ 39.192.
Conclusao do cenario 2: Simples no Anexo III e disparado a melhor opcao. Esse e o caso classico em que ajustar o pro-labore gera economia imediata.
Cenario 3: Agencia de marketing com equipe
Faturamento anual: R$ 1,8 milhao. Estrutura: 2 socios + 8 funcionarios CLT. Folha total (CLT + pro-labore): R$ 720 mil/ano. Margem real: 25%. Clientes majoritariamente PJ.
Simples Nacional: Fator R = 720.000 / 1.800.000 = 40%. Acima de 28%, fica no Anexo III. Aliquota efetiva na faixa de R$ 1,8 milhao no Anexo III aproximadamente 15,52%. DAS anual aproximadamente R$ 279.360.
Lucro Presumido: 16,33% x 1.800.000 = R$ 293.940.
Conclusao do cenario 3: Simples ainda vence, mas por margem pequena. O fator decisivo aqui e outro: como os clientes sao PJ, e a partir de 2027 o modelo tradicional do Simples da credito menor pro cliente, a agencia pode perder competitividade no B2B. Vale avaliar o regime hibrido da reforma tributaria ou ate migrar pro Presumido pra preservar o credito cheio do cliente. Essa analise e o tipo de coisa que precisa ser feita ate o fim de 2026 pra valer a partir de 2027.
Cenario 4: Advogado com escritorio proprio
Faturamento anual: R$ 480 mil. Estrutura: advogado socio + 1 estagiario + 1 secretaria. Margem real: 55%.
A advocacia se enquadra no Anexo IV do Simples Nacional, que tem uma particularidade: o INSS patronal e recolhido por fora do DAS. A aliquota nominal e menor, mas a empresa paga CPP separadamente sobre a folha.
Simples Nacional (Anexo IV): Aliquota efetiva na faixa de R$ 480 mil aproximadamente 10,68% de DAS. Mais CPP de 20% sobre folha (aproximadamente R$ 60 mil/ano de folha tributavel) = R$ 12 mil. Total aproximadamente R$ 63.264.
Lucro Presumido: 16,33% x 480.000 = R$ 78.384.
Conclusao do cenario 4: Simples Anexo IV vence mesmo considerando o INSS por fora. Advogados no inicio de carreira quase sempre se beneficiam do Simples.
Cenario 5: Consultor senior faturando alto
Faturamento anual: R$ 800 mil. Estrutura: consultor socio unico, sem funcionarios. Pro-labore: R$ 15 mil/mes. Margem real: 65%. Clientes: grandes empresas (PJ).
Simples Nacional: Folha = R$ 180 mil. Fator R = 180/800 = 22,5%. Fica no Anexo V. Aliquota efetiva aproximadamente 18,43%. DAS anual aproximadamente R$ 147.440.
Pra migrar pro Anexo III, o consultor precisaria aumentar o pro-labore pra mais de R$ 18.700/mes, o que tem implicacoes no INSS pessoal e no IRPF.
Lucro Presumido: 16,33% x 800.000 = R$ 130.640. Menor que o Simples no Anexo V.
Conclusao do cenario 5: Lucro Presumido e a melhor opcao, mesmo antes de considerar a reforma tributaria. Com a reforma, o Presumido fica ainda mais atrativo porque o cliente PJ recebe credito cheio.
O que muda a partir de 2027 com a reforma tributaria
A reforma tributaria comecou em janeiro de 2026 com a fase de teste, em que CBS (0,9%) e IBS (0,1%) sao cobrados simbolicamente e compensados com PIS/COFINS. O impacto no caixa e zero em 2026. A mudanca real comeca em 1 de janeiro de 2027.
Pra entender o que vai mudar em profundidade, escrevi um artigo completo sobre como preparar sua empresa pra reforma tributaria a partir de 2027 (incluir link interno). Aqui, vou focar so no que afeta diretamente a decisao de regime tributario.
No Simples Nacional: o regime continua existindo, mas a partir de 2027 o empresario vai poder escolher entre o modelo tradicional (tudo no DAS, como e hoje) e o chamado Simples hibrido, em que CBS e IBS sao recolhidos por fora do DAS. A diferenca esta no credito tributario que o seu cliente PJ recebe. No tradicional, o credito continua limitado. No hibrido, o credito e integral, o que preserva a competitividade em vendas B2B.
Isso muda a analise dos cenarios 3 e 5 acima. Uma agencia de marketing ou um consultor que vende pra outras empresas vai precisar simular se fica mais competitivo no Simples tradicional, no Simples hibrido ou migra pro Presumido. A decisao nao e obvia e depende de quanto o cliente valoriza o credito.
No Lucro Presumido: a estrutura do IRPJ e da CSLL continua igual. O que muda e o PIS/COFINS, que some e vira CBS em 2027. A grande vantagem e que a CBS sera nao-cumulativa, ou seja, permite credito sobre insumos. Empresas do Presumido que hoje pagam PIS/COFINS cumulativo de 3,65% sem aproveitar credito vao passar a pagar CBS de aproximadamente 8,8% mas com credito sobre aluguel, energia, servicos contratados de outras PJs e outros insumos. Pra prestador de servico com poucos insumos, pode representar aumento real de carga. Pra prestador com estrutura operacional robusta, pode ser neutro ou ate positivo.
No Lucro Real: tambem ha mudanca no PIS/COFINS, que vira CBS. A logica de credito ja existia no Real, entao a transicao e menos disruptiva.
O ponto central e este: 2026 e o ano de fazer a analise e tomar decisao. 2027 e o ano em que a escolha vira consequencia no caixa. Quem deixar pra pensar nisso em dezembro de 2026 vai tomar decisao apressada, e decisao apressada em tributacao custa caro.
Por que revisao de regime precisa ser feita todo ano
Tem uma crenca comum de que regime tributario e escolhido na abertura da empresa e fica pra sempre. Isso e perigoso. O regime certo pra uma empresa de R$ 300 mil/ano quase nunca e o mesmo regime certo pra mesma empresa quando ela chega em R$ 800 mil/ano. E o regime certo pra uma empresa que vende pra pessoa fisica pode nao ser o melhor quando ela comeca a vender pra empresa.
Os gatilhos mais comuns pra revisar regime sao:
- Mudanca significativa no faturamento, especialmente quando cruza a faixa dos R$ 360 mil ou dos R$ 1,8 milhao no Simples. Cada faixa tem aliquota progressiva e, em alguns pontos, a proxima faixa do Simples passa a ser menos competitiva que o Presumido.
- Mudanca no perfil de clientes, de PF pra PJ ou vice-versa. Isso afeta a importancia do credito tributario e pode inverter a conta.
- Mudanca na estrutura de folha. Contratou gente nova, mudou o pro-labore, passou a ter CLT quando antes era so PJ. Tudo isso mexe no Fator R e pode fazer a empresa migrar entre anexos do Simples.
- Mudanca na margem real. Se a empresa fica mais eficiente e a margem sobe acima de 32%, o Presumido fica mais atraente. Se a margem cai abaixo de 20%, o Real pode virar opcao.
- Mudanca na legislacao. A LC 224/2025 que majorou a presuncao do Presumido em 2026 e um exemplo recente. A reforma tributaria e outro, bem maior.
Na Easy Contador, a gente inclui a revisao anual de regime como parte da contabilidade, nao como servico extra. Em outubro e novembro, todo cliente passa por uma analise que compara o regime atual com as alternativas, considerando faturamento projetado, folha e perfil de clientes. Se tiver espaco pra economizar dentro da lei, a gente mostra e recomenda a troca pra janeiro.
Objecoes comuns de quem esta decidindo regime
"Simples e sempre mais barato, e so manter e pronto"
Nao e. Simples e mais barato em muitos casos, especialmente ate R$ 360 mil anuais e no Anexo III. Mas acima desse faturamento, ou no Anexo V sem Fator R, o Simples pode ficar mais caro que o Presumido. E a partir de 2027, com o credito limitado pro cliente PJ, o Simples tradicional pode te custar competitividade no B2B.
"Lucro Real e so pra empresa grande"
E obrigatorio pra empresa grande (acima de R$ 78 milhoes), mas nao e proibido pra empresa pequena. Uma consultoria pequena com margem real de 12% pode pagar menos no Real que no Presumido. O problema e o custo de conformidade, que no Real e alto. A conta precisa fechar.
"Trocar de regime e complicado e caro"
Trocar em si nao e caro. A opcao pelo Simples ou pelo Presumido e feita uma vez por ano, em janeiro, sem custo. O que tem custo e adaptar sistemas, processos e contratos. Mas esse custo costuma ser uma fracao da economia gerada quando a mudanca faz sentido.
"Meu contador nunca falou em revisar regime, entao ta tudo bem"
Esse e o sinal mais claro de que precisa revisar. Contador que nao fala em regime tributario ou ta sobrecarregado ou nao tem processo de revisao anual. Nenhuma das duas e desculpa, porque a empresa e sua, o imposto e pago com o seu dinheiro, e a economia tributaria dentro da lei e direito de toda empresa.
CTA
Revisar regime tributario nao e gasto extra, e como proteger o caixa da sua empresa. Se voce nao sabe quando foi a ultima vez que alguem comparou o seu Simples atual com o Presumido ou calculou o seu Fator R, provavelmente ta na hora.
Na Easy Contador, a revisao anual de regime faz parte da contabilidade, com contador de verdade e CRC ativo. Antes do fim do ano, a gente roda a analise completa do seu caso, compara os regimes com os seus numeros reais e recomenda o melhor caminho pra janeiro. Sem cobranca extra e sem enrolacao.
Agende uma conversa com nosso time em easycontador.com.br.
Conclusao
Escolher regime tributario e uma das decisoes mais importantes que um prestador de servico toma, e e tambem uma das mais negligenciadas. A maioria dos empresarios que atendemos na Easy nunca fez uma simulacao comparativa completa. Abriu a empresa no Simples porque o contador da epoca disse que era melhor, e deixou assim.
O problema e que o sistema tributario brasileiro e complexo e muda o tempo todo. Em 2026 ja entrou uma nova regra que impacta medias empresas no Presumido. Em 2027 a reforma tributaria comeca a valer de verdade, e com ela vem a decisao entre Simples tradicional e Simples hibrido, que nao existia antes. Nos proximos anos, quem nao revisa regime vai pagar mais imposto que o necessario ou vai perder competitividade sem entender por que.
A revisao de regime nao precisa ser dolorosa. Precisa ser feita com metodo, com dados reais da empresa e com alguem que entende o suficiente pra explicar as alternativas sem jargao. Contabilidade de verdade e isso: voce focado no seu negocio, com alguem cuidando pra que cada real de imposto pago seja o real certo, nem mais, nem menos.
FAQ
Qual regime tributario e melhor pra prestador de servico?
Depende do faturamento, da margem real, da folha de pagamento e do perfil de clientes. Pra faturamento ate R$ 360 mil anuais, o Simples Nacional costuma ser o melhor, especialmente no Anexo III com Fator R atingido. Acima disso, o Lucro Presumido vira competitivo. O Lucro Real raramente e a melhor opcao pra prestador de servico.
Como saber se estou no regime tributario certo?
Pedindo uma simulacao comparativa ao contador com os numeros reais da sua empresa: faturamento dos ultimos 12 meses, folha de pagamento incluindo pro-labore, margem real de lucro e percentual de vendas pra PJ. Com esses dados, da pra comparar Simples (nos anexos aplicaveis), Presumido e Real.
O que e o Fator R do Simples Nacional?
E a razao entre a folha de salarios dos ultimos 12 meses (incluindo pro-labore dos socios) e a receita bruta do mesmo periodo. Se essa razao for igual ou maior que 28%, atividades do Anexo V migram pro Anexo III, com aliquotas significativamente menores. E um dos pontos mais importantes pra prestador de servico no Simples.
Posso trocar de regime tributario a qualquer momento?
Nao. A opcao pelo Simples Nacional ou pelo Lucro Presumido e feita uma vez por ano, ate o ultimo dia util de janeiro, e vale pro ano todo. Por isso a revisao precisa ser feita entre outubro e novembro, pra ter tempo de tomar decisao pro ano seguinte.
O Simples Nacional vai acabar com a reforma tributaria?
Nao. O Simples Nacional continua existindo. A partir de 2027, empresas do Simples vao poder escolher entre o modelo tradicional e o Simples hibrido, em que CBS e IBS sao recolhidos por fora do DAS pra preservar o credito cheio pro cliente PJ.
Qual a diferenca entre Lucro Presumido e Lucro Real?
No Presumido, a Receita presume que a sua margem de lucro e de 32% (pra servicos) e cobra IRPJ e CSLL sobre essa presuncao. No Real, voce paga IRPJ e CSLL sobre o lucro efetivo apurado pela contabilidade, o que pode ser melhor se a margem real for baixa ou se a empresa tiver prejuizos a compensar.
Preciso de contador pra mudar de regime tributario?
Sim. A opcao de regime e uma decisao tecnica que envolve simulacoes, analise de enquadramento por CNAE, Fator R e projecoes. Fazer sem contador e arriscar pagar mais imposto por anos por escolha errada.